Café brasileiro sob pressão: tarifas, estoques e dinâmica Vietnã

As exportações de café do Brasil atravessam um teste de resistência. Após a tarifa de 50% imposta pelos EUA sobre produtos brasileiros, compradores norte-americanos passaram a postergar embarques, o que adiciona pressão de curto prazo sobre fluxos e financiamentos de exportação. Ao mesmo tempo, o Brasil monitora a concorrência do Vietnã — que vem de uma safra forte e de preços médios de exportação elevados — para preservar competitividade e participação nos principais mercados.

Tarifa americana acende alerta

De acordo com entidades do setor, importadores dos EUA passaram a solicitar o adiamento de cargas brasileiras após o início da tarifa de 50%. O movimento ocorre num contexto em que, em julho, os embarques do Brasil já haviam recuado 28,1% na comparação anual, com queda de 20,6% no arábica e de quase 49% no robusta (conilon). A postergação impacta contratos de adiantamento (ACC), eleva custos financeiros e mantém o mercado futuro mais volátil.

Apesar do estresse de curto prazo, o governo federal anunciou um pacote de apoio a exportadores afetados pelas tarifas, com medidas de crédito e alívio financeiro direcionadas a reduzir fricções na cadeia. Do lado doméstico, os preços ao consumidor de café caíram 1,01% em julho — a primeira queda em 18 meses —, abrindo algum alívio para o consumo interno mesmo com a incerteza externa.

Brasil x Vietnã: uma disputa em movimento

Enquanto o Brasil administra o choque tarifário, o Vietnã mantém forte desempenho. Nos primeiros 7 meses de 2025, a receita com exportações de café foi estimada em US$ 6 bilhões, segundo reporte local, refletindo preços internacionais elevados. Dados divulgados dias antes também mostraram que, no acumulado, o volume recuou 9,5% ano a ano, mas o preço médio de exportação subiu de forma expressiva, sustentando a receita. Esse quadro mexe com a competitividade do robusta no comércio internacional e pode redefinir destinos de venda no curto prazo.

Concorrência e ajustes táticos

Com os EUA temporizando compras, exportadores brasileiros buscam reprogramar embarques e diversificar destinos, enquanto monitoram potenciais redirecionamentos de demanda. No Sudeste Asiático, a combinação de estoques ajustados e preços firmes segue favorecendo a receita vietnamita, o que reforça a necessidade de estratégias de diferenciação (qualidade, certificações e prazos) por parte do Brasil, sobretudo no segmento de robusta.

Resumo comparativo

CenárioImpacto mais recente
Tarifa de 50% dos EUA Compradores norte-americanos pedem adiamento das importações; julho marcou queda de 28,1% nos embarques (arábica −20,6% e robusta −~49%).
Pacote de apoio no Brasil Governo anuncia medidas de crédito e suporte para exportadores atingidos, buscando reduzir custos financeiros e gargalos.
Preços ao consumidor no Brasil −1,01% em julho (1ª queda em 18 meses), oferecendo algum alívio doméstico.
Vietnã em 2025 (jan–jul) Receita estimada em US$ 6 bi; volume recua 9,5% a/a, com preço médio mais alto, sustentando faturamento.

Conclusão

O setor entra no 2º semestre sob o efeito combinado de tarifas elevadas, reprogramação de embarques e concorrência asiática robusta. A resposta passa por três frentes: (i) gestão financeira e logística para atravessar o período de postergações, (ii) diversificação de mercados e portfólio (qualidade e diferenciação) e (iii) captura de prêmios em nichos de maior valor agregado. Com suporte de políticas públicas e coordenação setorial, o Brasil preserva condições de manter participação relevante — ainda que sob maior volatilidade.

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